histÓRIA

A ASSOCIAÇÃO DAS BANDAS DE CONGO

A Associação das Bandas de Congo da Serra ABC/SERRA foi fundada em 09 de julho de 1986 pelo saudoso mestre “Antônio Rosa”, que com a preocupação de preservar as Bandas de Congo e seus festejos uniu-as para o fortalecimento da tradição. Antônio Rosa com muitas dificuldades, manteve a ABC/SERRA para garantir os uniformes, roupas de dançarinas e instrumentos, pedindo ajuda a todos. Manteve uma oficina no quintal de sua casa onde bancava todas as despesas de manutenção e confecção dos instrumentos, tudo para garantir a participação dos grupos nos festejos.
Na década de 90, Antônio Rosa adoeceu, mas mesmo assim continuou a frente da Associação e dos festejos da Festa de São Benedito até que em 03 de agosto de 1999 veio a falecer. O senhor Alberico (Liliu), grande amigo e companheiro de Antônio Rosa assumiu a Associação até julho de 2000, quando ocorreram as eleições para o biênio de 2000/2002,sendo eleita por todos os mestres sua filha é uma das herdeiras dessa cultura Terezinha Ozório Machado Pimentel como presidente e sua mãe Ilohyl Vieira Machado como vice-presidente.
Também no ano de 2000 o até então prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, convidou a ABC-SERRA para fazer um convênio para ajuda de custo das Bandas de Congo filiadas, esse foi um grande avanço da Cultura Serrana. O convênio dá condições da Associação manter as Bandas de Congo filiadas e seus projetos.
A Associação cresceu de tal forma que hoje é entidade melhor reconhecida no município e estado do Espírito Santo,recebendo também uma homenagem do Presidente da República e do Ministro da Cultura com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural no ano de 2003.A Associação tem levado o congo em diversos municípios do Espírito Santo que desconhece também essa cultura tão rica e trocado experiências e também tem viajado por várias regiões do Brasil difundido o Folclore Capixaba,já participou em Aparecida do Norte - SP,Campinas-SP,Piauí,Blumenau,Brasília, Rio de Janeiro, Olímpia-SP.
Através do Convênio com a prefeitura foi lançado um CD em homenagem ao mestre Antônio Rosa e com objetivo registrar as tradicionais toadas do congo serrano. O CD é titulado “Congo o Canto da Alma”. Outra conquista foi uma parceria com a CST, o fruto dessa parceria deu a realização da Oficina de Instrumentos de Bandas de Congo, onde tem toda estrutura necessária para manutenção de instrumentos. A Associação das Bandas de congo da Serra é composta por um presidente, um vice-presidente, um secretário, um tesoureiro, um diretor administrativo, três conselheiros fiscais efetivo, três conselheiros fiscais suplentes e um conselho de mestres. ABC-SERRA possui título de Utilidade Pública, Municipal, Estadual e Federal.

O CONGO DA SERRA

Em 1856 quando havia comércio de escravos para o Brasil, na viagem do navio vindo da África nas imediações das praias de Nova Almeida, deu-se o naufrágio do navio, só restando 25 tripulantes que eram escravos e que se salvaram agarrados ao mastro que se desligou do barco, abraçado gritando pelo santo preto e pôr Deus que os salvassem, e este milagre eles receberam. Acontece que esses escravos se espalharam nas fazendas que existiam na época e nos engenhos de cana de açúcar em vários lugares do município da Serra, como: Em Putiri; Cachoeirinha; Hestes; Perinheiro; Pindaíbas; Muribeca; Queimado e lá viveram trabalhando para os senhores. Neste meio tempo eles lembraram que tinha uma promessa a pagar ao santo preto, criando uma banda de batuque ou banda de Congo feito com ocu de pau e bambu, isto com permissão dos senhores. Com nome do santo preto que depois vieram, a saber, que era São Benedito, eles residiam em propriedades diferentes, isto é, no Município da Serra. Mas o líder do grupo residia em putirí (Crispiniano da Silva), era o líder dos demais companheiros, isso aconteceu em outubro de 1862.

Com a criação da banda de congo, eles queriam completar as suas promessas, voltaram aos seus senhores em dia de descanso ou alforria e pediram licença que queriam suas promessas, e seus senhores atendeu-os e perguntou-lhes o que queriam desta vez, o escravo Cripiniano da Silva pediu-lhes que arranjassem a boiada de carro para que eles pudessem continuar suas promessas com a permissão dos seus senhores. Partiram para a mata, foram ao brejo acompanhados dos seus senhores, montados em seus corcorgis e ao chegar ao brejo escolheram uma árvore (guanandi), derrubaram,cortaram e colocaram em seus ombros, subiram a mata dando viva ao santo preto e ao chegar a frente do terreiro da residência de uns senhores, jogaram no chão. Então os senhores perguntaram o que iam fazer: responderam que arranjassem a permissão para colocar a boiada de serviço de canga com as correntes e atar ao madeiro com as cangas enfeitadas de flores silvestres e darem uma volta pela fazenda e nas nossas residências dos senhores. E os senhores montados a cavalo em vigília, pensando que era um golpe de fuga, e assim fizeram acompanhados da banda de Congo e as famílias dos senhores, e os escravos perguntaram aos senhores, o que iam fazer agora, responderam com a sua permissão dos senhores, vamos preparar o madeiro e fazer o mastro. Fazer o mastro para erguer e levantar com a bandeira do santo preto o São Benedito, voltaram a perguntar pôr curiosidade o que faltava para completar a promessas de vocês, responderam que precisavam do carro de boi para fazer em forma de navio enfeitando de flores silvestres simbolizando o navio que naufragou e seus irmãos e companheiros que morreram afogados. Fizeram uma enorme corda de cipó trançado para puxar o navio com o Congo e as famílias dos senhores, e também seus companheiros e familiares de escravos, eles com o mastro pronto esconderam na fazenda dos senhores, e iniciaram a puxada do navio negreiro em volta, e pararam em frente da residência dos senhores. E foram apanhar o mastro e colocar dentro do navio e voltaram a dar outra volta em redor da fazenda com o mastro dentro do navio negreiro.

Escolheram um lugar enfrente da residência dos senhores, abriram um buraco no chão tiraram o mastro de dentro do barco representando o navio negreiro que afundou e puseram nos ombros e levantaram com a bandeira do Santo Preto, São Benedito com muita festa e vivas ao Santo Preto e São Benedito, com espaço de uns dias voltaram a fazer um ultimo pedido de fazer a retirada do mastro com a bandeira de São Benedito presentear aos seus senhores, e que eles mandassem fazer uma capelinha no mesmo lugar que foi erguido o mastro de São Benedito atendido os pedidos e construíram a capelinha no mesmo lugar e na mesma data do ano faziam a festa. Logo assim que foi criado as associações na igreja matriz de nossa senhora da conceição na Serra, inclusive a irmandade vir a Serra na igreja filiar-se a irmandade de São Benedito com o seu padroeiro, recebendo assim o nome de Congo São Benedito em Putiri, isto mais ou menos uns 120 anos sob a direção e cuidados do escravo Crispiniano da Silva, que pôr pouco tempo com o falecimento do escravo Cispiniano em 1875 que já tinha uma mulher e um filho de apenas 8 (oito) anos de idade os companheiros resolveram passar ao garoto como prova de amizade e de direito que se chamava-se José Maria da Silva, que assim o comando do Congo, com a aprovação de todos, continuando a mesma vontade e cadência do saudoso pai e filiado a irmandade de seu padroeiro na Serra pôr muitos anos respeitado pôr todos que pôr carinho e respeito chamavam de (tio) dos seus companheiros da velha guarda, Dionísio, Paranhos, Pedro Luiz Ceprodim, Mário Souza. E pôr todo apoio saudoso Manuel de Deus Amado ao organizarem na Serra os festejos do natal e São Benedito a comissão ia a muitas festas, cantoras sinos a badalar e assim era encerrado pôr mês de maio o mês de Maria. Junho e Julho dedicado aos festejos juninos de Santo Antônio e São João, São Pedro e Santa Ana, e todo município da Serra e fazia as fogueiras e festejos. Setembro semana da Pátria, os colégios se preparavam para o sete de setembro da independência do Brasil com a tropa escoteira, clube de cultura Bandeirantes.
Lobinhos e todos os colégios do município da Serra e participação da banda de música local.

Em outubro, logo após a reunião da igreja, tratava-se o mês e horário às sete horas da noite. Rezava-se, cantava-se em procissão com a imagem de Nossa Senhora do Rosário acompanhado da banda de música. Em novembro, dia 1º na igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição às 8 horas primeiras e às 9 horas 3º missa com comunhão geral. Dia 2 de Dezembro dedicado a finados e às 7 horas primeira missa e 10 horas missa de finados no cemitério e logo após reunião na igreja com as irmandades de São Benedito, Nossa Senhora do Rosário, irmandade do Coração de Jesus, Coração de Maria, e do menino Jesus e eram escolhidos de cada irmandade membros para formar a comissão dos festejos e no Domingo seguinte depois da missa o vigário da paróquia anunciava os festejos e lhes entregavam as listas para arranjar donativos doados pêlos devotos, e estes entravam em ação.
O dia 7 e 8 de Dezembro era dedicado a padroeira da cidade faziam alvorada as 4 horas da manhã do dia 7 e a noite havia na igreja a véspera com cantigas a banda de música e povo.

No dia 8 de Dezembro dia da Padroeira, às 8 Horas missa comunhão geral às 9 horas missa cantada pelo coro e a orquestra musical e o povo, e ao meio os sinos da matriz davam sinais de festas com seus repiques e também se fazia leilão em benefício da festa. Às 17 horas, voltava novamente e os sinos badalavam chamado o povo e a banda de música para a igreja dar início a procissão de São Benedito e a padroeira Nossa Senhora da Conceição, percorrendo as ruas da cidade acompanhada pelo povo e a banda de música. Participamvam também todas as irmandades religiosas. Com a chegada a igreja, iniciavam-se os cânticos para a benção do Santíssimo Sacramento com participação ao povo com as campainhas e os sinos e música. E após a oitava de Nossa Senhora da Conceição no 1º Domingo a tradicional cortada do mastro de São Benedito, Domingo pela manhã o povo acordava mais cedo eufórico e na expectativa sobre o evento, perguntando uns aos outros e aos festeiros da época Sr. Basílio dos Santos, Antônio Corrêa da Vitória e Silva, Alvim Rocha, Agapito de Letilzer, Máximo Miranda, Eurico Miranda, Alvim Nascimento, João Rosa machado a resposta era sim com a presença do tradicional Congo São Benedito de Putiri e ficavam mais animados e satisfeitos e atentos ao do Congo recebe-los, dar as boas vindas e os componentes que ali eram recebidos com muita festa, fogos e oferta de ajuda. Estes se reuniam e iniciavam suas atividades em ritmo e cadência na batuta do saudoso (tio Zé), em direção a igreja Nossa Senhora da Conceição para prestar as devidas honras ao seu padroeiro. E quando isto não acontecia, os festejos faziam sem os princípios de costume e prosseguia com as outras bandas de Congo que existiam na época, banda de música e o povo.

Com a presença do Congo de putiri eles entravam nas ruas da cidade com sua cadência direito a prestar as devidas honras a São Benedito e faziam um pequeno descanso enquanto guardavam as ordens dos festeiros que neste intervalo o povo vinha visitá-lo, as boas vindas e aguarda-los, e os festeiros vinha cumprimentai-los, e dá início aos festejos logo após a chegada da banda de música e o povo em geral.Com os sinais de festa pelos sinos da matriz os congros com seus batuques a banda de música tocando o tradicional (VAPO), em seguida para o antigo caminho de Jacaraípe hoje Bairro São Domingos, ao encontro do Sr. Adauto Moisés, que era o candieiro e o Sr. Manoel Ramos (Nininho) prontos para dar início aos festejos que seguia em direção ao centro da cidade seguindo a avenida ou Rua Dão Pedro II, seguindo a Avenida Getúlio Vargas, ou antiga Rua La Vem Um, até as proximidades do cine, hoje residência do saudoso Sr. Naly da Encarnação Miranda, que era delegacia de polícia, fazia se uma parada em continências para continuar os festejos seguindo de volta pela mesma, a Rua ou Av. Getúlio Vargas segundo e passando curvando enfrente a praça Dr. Pedro seguindo a Rua Major Pissarra ou conhecida rua do saudoso (Biluia), seguindo e passando o antigo largo, hoje Praça (João Miguel), seguindo e passando novamente na Praça João Miguel iniciando a Rua Cassiano Castelo, a Praça João Dalmacio Castelo, a Praça Barbosa Leão ou praça da Matriz fazendo uma pequena parada enfrente a igreja em continência e os sinos a badalarem, sinais de festa e seguindo a Av. Jones Santos Neves ou Caçaroca, retornando a Rua Domingos Martins ou Rua de Baixo, saindo na Av. Getulio Vargas e finalmente tendo ponto final da cortada do mastro de São Benedito, encerrando a primeira parte dos festejos. Que os Congos, Bandas de Música, cavalheiros e o povo voltam ao seu destino da origem, em tempo ressaltar lembrando o seguinte: estes enfeites nas cangas dos bois eram feitos a mais de 80 anos pela Sr. Ritinha Silverio.